RESGATE DE TONINHA MOBILIZA REDE DE ESPECIALISTAS NO SUDESTE

Atualizado em 23/04/2026

Postado em 23/04/2026

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Uma toninha (Pontoporia blainvillei) resgatada na praia de Atafona, no norte fluminense, passou por tratamento e reabilitação no Instituto Orca, em Guarapari, no Espírito Santo, uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias das Bacias de Campos e Espírito Santo (PMP-BC/ES) da Petrobras. O caso é considerado histórico por se tratar do primeiro registro de reabilitação deste cetáceo no Espírito Santo e o primeiro no Sudeste, de um indivíduo da espécie encontrado com vida.

O animal, um filhote macho, com idade estimada entre 20 e 30 dias no momento do resgate, ainda com marcas fetais, o que indica nascimento recente. A toninha é atualmente o cetáceo com maior risco de extinção no Atlântico Sul e tem um organismo extremamente frágil, o que torna raros os casos de resgate e reabilitação de indivíduos vivos. O filhote sobreviveu por 11 dias em tratamento com atendimento integral da equipe técnica, mas, em decorrência do tempo de vida e da sensibilidade da espécie, não resistiu, falecendo em 21 de abril de 2026.

O filhote foi encontrado encalhado na praia pela equipe de monitoramento do PMP/BC-ES. Diante da ocorrência, foram imediatamente acionados o Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos de Lagos (GEMM-Lagos) e a Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Sudeste (Remase), especializada no monitoramento, resgate e reabilitação de animais marinhos ao longo do litoral sudeste brasileiro.

O transporte do animal até o Instituto Orca foi realizado em veículo adaptado, levando em consideração a proximidade do local do encalhe e a estrutura adequada para o atendimento especializado. Ao chegar ao instituto, a toninha apresentava estado debilitado e, inicialmente, foi mantida em uma piscina inflável, onde permaneceu sendo sustentada manualmente por profissionais para garantir estabilidade e reduzir o estresse.

Equipe responsável pelo resgate e tratamento da toninha. Foto: Divulgação/PCSR-ES

​​​​Com a evolução do quadro clínico, o filhote foi gradualmente transferido para tanques maiores, acompanhando seu ganho de força e capacidade de nadar sem auxílio. Até o falecimento, o animal foi mantido em ambiente controlado, com acompanhamento contínuo da equipe técnica.

Por ainda estar em fase de amamentação, a toninha recebeu uma fórmula nutricional específica para a espécie, desenvolvida com apoio de especialistas e obtida a partir de uma rede de colaboração que envolveu instituições do Brasil e do exterior. A alimentação era feita por sonda, a cada 45 minutos, em um protocolo rigoroso compatível com a delicadeza do animal.

Após o resgate, o filhote passou por uma série de exames, incluindo análises de imagem e sangue, além da coleta de amostras de pele, DNA e do borrifo. Esses materiais foram utilizados para avaliar a saúde e a evolução do animal, além de contribuir para o registro científico da espécie, cujos estudos ainda são incipientes devido à raridade de resgates de indivíduos vivos.

O Instituto Orca dispõe de um Sistema de Suporte à Vida que garante a qualidade da água dos tanques, com controle constante de filtragem, temperatura, salinidade, pH e níveis de amônia. A expectativa é que as informações e descobertas obtidas ao longo do tratamento contribuam para o aprimoramento de protocolos e sirvam de base para futuros resgates da espécie.

O tratamento da toninha contou ainda com o apoio de uma rede internacional de especialistas vinculados à Alliance for Franciscana Dolphin e à Yaqu Pacha, organizações de proteção a mamíferos aquáticos na América Latina, além do suporte veterinário da R3 Animal e da National Marine Mammal Foundation (NMMF), reforçando o caráter colaborativo e científico da iniciativa.

O caso representa um marco para a conservação da toninha e para o avanço do conhecimento técnico-científico sobre uma das espécies mais ameaçadas da fauna marinha brasileira.

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